ÓBIDOS

O concelho de Óbidos é constituído por nove freguesias distribuídas por uma área de 141,16 km2, onde reside uma população de 11188 habitantes.
A sua história tem o seu fulcro na da Vila de Óbidos, conquistada aos mouros em 1148 por D. Afonso Henriques. Foi doada sucessivamente às rainhas, desde d.ª Urraca, mulher de D. Afonso II, passando por D.ª Isabel, Leonor Teles, Filipa de Lencastre e outras. Quase todos os soberanos portugueses, principalmente da primeira dinastia, a escolheram para residência e em 20 de Agosto de 1513 D. Manuel concedeu-lhe foral novo.

Óbidos possui o título de “mui nobre a sempre leal” devido à fidelidade demonstrada a D. Sancho II, ao resistir durante oito meses ao cerco de D. Afonso III. Feita condado dos Mascarenhas, que herdaram dos Noronhas a alcaidaria, como estes a tinham herdado dos Aboims, Óbidos juntou assim, pelos tempos fora, inúmeros títulos de nobreza. O terramoto de 1755 desmoronou-lhe o paço do castelo, as igrejas de Santiago do Castelo e S. Pedro, parte do aqueduto, muito da muralha e mesmo a torre albarrã.

Como monumentos nacionais estão classificados o castelo e todo o conjunto urbano da vila, o pelourinho e o túmulo de D. João de Noronha, o Moço, na Igreja de Santa Maria. Este templo é um imóvel de interesse público, bem como a capela de S. Martinho, gótica, a capela de Nossa Senhora do Carmo, romano-gótica, de grande antiguidade, e o aqueduto da Usseira, admirável obra de engenharia, medindo três quilómetros e construído no séc. XVI.

Mas há muitos mais motivos de interesse distribuídos por todo o concelho, podendo admirar-se capelas, igrejas e solares antigos como o convento de S. Miguel, a Casa das Gaeiras, a Quinta do Furadouro e a Quinta das Janelas. Dos templos rurais sobressaiem as igrejas paroquiais de Amoreira, com arquite-ctura arcaica e azulejaria seiscentista, e de A-dos-Negros, onde ressaltam três peças qui-nhentistas de rara beleza: a pia baptismal, a pia de água benta e a escultura de S. Sebastião. Novamente na vila, são de visita obrigatória as igrejas de S. Pedro, de S. João Baptista, de Santiago do Castelo e da Misericórdia; as ermidas de S. Martinho, de Nossa Senhora da Piedade e de Nossa Senhora da Graça; a torre albarrã; o paço real, adaptado a pousada, e o museu, tanto pelo recheio como pelo edifício, quinhentista e antigos Paços do Concelho.

Outro grande atractivo concelhio é a Lagoa de Óbidos, maravilha natural onde se podem praticar desportos como vela, windsurf, remo, canoagem e natação. Sendo também uma óptima zona de praia com mar, bastante frequentada, foi ali construída uma boa zona comercial e turística de óptimos apartamentos e restaurantes.

O artesanato obidense também nos mostra peças de grande valor e de muita tradição. O mais tradicional em termos de antiguidade é a cerâmica, cujas origens remontam a épocas muito recuadas. São vários os artesãos que se dedicam à pintura em cerâmica, mas também em barro. A própria Câmara Municipal fundou, na década de oitenta, uma “oficina de barro” com o intuito de proporcionar um contacto directo entre visitantes e artistas. De grande mérito são ainda os bordados, as mantas de retalhos e as tiras de panos, a tecelagem em teares manuais, a latoaria pintada, os ferros forjados e as miniaturas de moinhos de vento.

As cerimónias da Semana Santa atraem grande número de forasteiros, principalmente a Procissão do Senhor dos Passos, percorrendo as ruas do velho burgo. Famosas são também as festas de Sant’Ana ou da Batatada, realizadas no Pinhal durante o mês de Setembro e incluindo jantar colectivo de bacalhau e batatas.
Os acontecimentos culturais têm lugar durante o Verão com o Festival de Música Antiga, a semana Internacional de Piano e os Cursos Internacionais de Arte de Óbidos. Ou não fosse esta a terra de Josefa d’Ayala y Cabrera, mais conhecida por Josefa d’Óbidos, que se aqui não nasceu, pelo menos viveu e pintou, conquistando o seu lugar na história da pintura seiscentista portuguesa; ou não tivessem aqui nascido Frei Miguel da Natividade, Frei Francisco Caetano e José Joaquim dos Santos, todos com grande talento musical. Como se não chegasse, Óbidos ainda enriqueceu as letras portuguesas com os grandes poetas Francisco Manuel Gomes da Silveira Malhão e seu filho Padre Francisco Rafael da Silveira Malhão, intitulado o “Lacordaire Português” devido aos seus excepcionais dotes de orador sagrado.

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